Mesmo sem nenhum registro de caso suspeito de coronavírus em Salvador, os moradores da cidade se previnem. De acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácia (Abrafarma), houve um aumento de procura no país por itens de proteção individual como máscaras e álcool em gel. No entanto, a entidade não especificou o incremento de vendas. O CORREIO apurou com o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos da Bahia (Sincofarba) que este é um período de boa saída desses materiais, mas que o volume de vendas pode ter subido em função da obrigatoriedade de estabelecimentos comerciais disponibilizarem álcool em gel, imposta pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), diante do cenário de epidemia mundial.

Segundo a presidente do Sindicato de Trabalhadores em Farmácias de Salvador (Sintfarma), Eliana Melo, foi possível perceber um acréscimo nas vendas desses itens nas farmácias dos bairros do Centro e Comércio, áreas próximas ao Porto de Salvador, onde há chegada de navios. De fato, no Atacadão dos Remédios, próximo ao Mercado Modelo, não há nenhum dos dois produtos. Na Drogaria Rio Branco, também próxima ao mercado, o gerente disse que as máscaras estavam em falta, mas foram reabastecidas ainda na terça-feira, 04.

De acordo com Alessandra Luz, gerente da unidade da Atacadão dos Remédios, a procura foi alta na última semana e o estoque zerou. “Nunca faltou álcool em gel e nem máscara aqui. De outubro a março, a gente não fica sem”, disse. A gerente diz que turistas de navios de cruzeiro que chegam ao porto e também clientes baianos, principalmente trabalhadores da região do Comércio, têm comprado. 

Ainda segundo ela, a baixa no estoque também é devido à falta dos produtos com a própria distribuidora, que não teve para repassar. A previsão é de que a farmácia seja reabastecida só na próxima semana. Lá, o álcool em gel da marca Asseptgel de 440g está custando R$ 13,95. A embalagem portátil de 52g fica por R$ 3,83. Já a máscara descartável sai por R$ 0,50 a unidade.

Na Farmácia Popular, no Centro Histórico, a gerente Geisa Alves exibe as tão buscadas embalagens econômicas de álcool em gel (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Na farmácia de Antônio Marcos da Silva, localizada na Praça da Sé, no Centro Histórico, 70% dos clientes que têm procurado pelos produtos são turistas. “Eu puxo conversa com o pessoal e eles me dizem que estão comprando por prevenção porque está perigoso e não querem vacilar”, conta ele. Geralmente, o proprietário renova o estoque de álcool em gel a cada 15 dias, mas com o aumento das vendas reduziu para uma semana. 

Antônio diz que o último pedido que fez à distribuidora sequer veio completo e o representante farmacêutico justificou que o desfalque foi mesmo por conta da demanda do coronavírus. Das 200 máscaras que solicitou, só 50 unidades chegaram. Como a embalagem de 500g voou das prateleiras e chegou a ficar em falta, nesta quarta-feira, 5, ele tornou a fazer pedido dos dois itens de proteção. Lá, a máscara fica a R$ 1 a unidade e a embalagem de mão do álcool em gel sai a R$ 5, enquanto a de 250g fica a R$ 14,90.

No Atacadão dos Remédios, perto do Mercado Modelo, o estoque de itens de proteção tem previsão de ser reposto na semana que vem, segundo informou a gerente Alessandra Luz (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Distribuição

A Abrafarma disse que está atenta aos possíveis problemas no fornecimento e explicou, através de nota, que a indústria farmacêutica utiliza matéria-prima e princípios ativos importados da China, e que a produção pode ter sido influenciada por esse cenário de epidemia. 

Vice-presidente do Sincofarba, Luiz Trindade, garantiu que a distribuição de produtos farmacêuticos continua normal no estado e atribui uma maior procura pelo álcool em gel também devido a volta às aulas nas escolas. Trindade diz que a população soteropolitana não se desesperou em função do novo vírus, já que não há casos suspeitos no estado até o momento, e avaliou o movimento de busca pelos itens como “tranquilo, sem estardalhaço”.

Saiba quando renovar a máscara e o álcool em gel

Médica infectologista coordenadora do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Aliança, a Drª Áurea Paste, explica que no protocolo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) consta dois tipos de máscaras para prevenção contra a contaminação com o coronavírus: a cirúrgica descartável e a do tipo N-95, mais potente.

A máscara cirúrgica é a popular, com elástico, baratinha e encontrada na maioria das farmácias, e que pode ser usada tanto por qualquer pessoa, inclusive profissionais da saúde atuando em procedimentos comuns de unidades hospitalares. Segundo a doutora, essa proteção pode ser usada por até 4h. “Porém, se ficar úmida, se sujar, deve ser trocada antes”, indica. 

Já a máscara N-95 tem sido indicada para profissionais que estão lidando com pacientes com suspeita de contaminação, junto com outros equipamentos de proteção individual como óculos, avental impermeável e luvas. Essa máscara pode durar até sete dias e deve ser usada quando o profissional precisar realizar procedimentos de nebulização ou entubação de um paciente. Geralmente, essa proteção é indicada para casos de outras doenças como sarampo e varicela, altamente contagiosas.

Quanto ao álcool em gel, a médica explica que qualquer marca tem a mesma eficácia, desde que seja o álcool na proporção 70%. Paste indica que se a pessoa for se alimentar, o melhor é lavar as mãos com água e sabão. Se por acaso sujar as mãos, também é preferível lavar com água e sabão, mas em situações de rua, como estar no carro, ônibus, metrô e ao tocar superfícies, o álcool em gel é um antisséptico aliado.

Fonte: Correio da Bahia

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